quarta-feira, 10 de junho de 2009

Paleontologia e Arqueologia em debate

Estudantes de vários cursos universitários e pesquisadores das áreas da Paleontologia e Arqueologia se reúnem pela primeira vez no Cariri, no Encontro Acadêmico voltado para debater as duas áreas, no intuito de fortalecer os trabalhos direcionados a esses campos de atuação específicos. O evento foi aberto na manhã de ontem, no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (Urca), e vai até amanhã, com cursos, oficinas e vivências nas minas de calcário, em Santana do Cariri, e na Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Cariri, em Nova Olinda.

O evento foi aberto pelo Reitor da Urca, Professor Plácido Cidade Nuvens. Ele fez uma abordagem das primeiras pesquisas realizadas sobre os fósseis na região, a ética direcionada a essa questão de preservação do patrimônio fossilífero e a criação do Museu de Paleontologia, que veio despertar ainda mais a comunidade para a importância desse material na região. Ele está finalizando seu livro, com mais duas pesquisadoras, sobre os 200 anos de pesquisa da Paleontologia.

O Museu de Paleontologia, um dos principais suportes para a pesquisa, com mais de 7 mil peças, passa por uma ampliação e reforma, o que irá, segundo Plácido, dar maior dimensão a esse trabalho na área de pesquisa e identificação dos fósseis. O equipamento possibilitou as primeiras identificações. Aprofundar e socializar a produção científica são pontos de enfoque no encontro.

O estudante de Biologia, José Edson de Oliveira, destaca a necessidade de se conhecer mais sobre uma fonte rica de material para se estudar sobre a Paleontologia e a Arqueologia. “Tudo, apesar da Paleontologia já vir sendo estudada há mais tempo, ainda é muito pouco em relação ao conhecimento que essa região pode oferecer para a humanidade”, diz ele, ao acrescentar a importância que essas ciências podem dar a respeito de um estudo do passado para descobertas importantes em relação ao presente e o futuro da humanidade. Acrescenta, ainda, que o Cariri é uma fonte bastante requisitada e resta aos pesquisadores da região se apropriarem mais desse conhecimento.

A pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Helena Hessel, tem dedicado um trabalho de pesquisa considerável em relação aos fósseis da Chapada do Araripe. No encontro, dará um curso sobre Interpretação Paleontológica, com a finalidade de possibilitar um encontro dos estudantes com a ciência e facilitar a introdução à pesquisa na área. Ela veio ao Cariri coordenar a montagem do primeiro curso na área da Pós-Graduação em Paleontologia, a ser iniciado no segundo semestre deste ano, por meio de uma parceria entre a Urca e a UFC.

Matéria da Jornalista Elizangela Santos para o jornal Diário do Nordeste, em 09/06/2009.

Um comentário:

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SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ: UM GENOCÍDIO ESQUECIDO PELO PODER PÚBLICO!

No CEARÁ, para quem não sabe, houve também um crime idêntico ao do “Araguaia”, contudo em piores proporções, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará no ano de 1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato JOSÉ LOURENÇO, seguidor do padre Cícero Romão Batista.

A ação criminosa deu-se inicialmente através de bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como feras enlouquecidas, como se ao mesmo tempo, fossem juízes e algozes.

Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará foi de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO / CRIME CONTRA A HUMANIDADE é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira bem como pelos Acordos e Convenções internacionais, e por isso a SOS - DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - Ceará, ajuizou no ano de 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que sejam obrigados a informar a localização exata da COVA COLETIVA onde esconderam os corpos dos camponeses católicos assassinados na ação militar de 1937.

Vale lembrar que a Universidade Regional do Cariri – URCA, se tivesse interesse, utilizaria sua tecnologia avançada e pessoal qualificado, para, através da Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa – PRPGP, do Grupo de Pesquisa Chapada do Araripe – GPCA e do Laboratório de Pesquisa Paleontológica – LPPU encontrar a cova coletiva, uma vez que pelas informações populares, ela estaria situada em algum lugar da MATA DOS CAVALOS, em cima da Serra do Araripe.

Frisa-se também que a Universidade Federal do Ceará – UFC, no início de 2009 enviou pessoal para auxiliar nas buscas dos restos dos corpos dos guerrilheiros mortos no ARAGUAIA, esquecendo-se de procurar na CHAPADA DO ARRARIPE, interior do Ceará, uma COVA COM 1000 camponeses.

Este descaso para com as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO seria pelo fato delas não terem o mesmo valor que os achados arqueológicos do Cariri, ou discriminação por serem “meros nordestinos católicos”?

Diante disto aproveitamos a oportunidade para pedir o apoio de todos os cidadãos de bem nessa luta, no sentido de divulgar o CRIME PERMANENTE praticado contra os habitantes do SÍTIO CALDEIRÃO, bem como, o direito das vítimas serem encontradas e enterradas com dignidade, para que não fiquem para sempre esquecidas em alguma cova coletiva na CHAPADA DO ARARIPE.


Dr. OTONIEL AJALA DOURADO
OAB/CE 9288 – (85) 8613.1197
Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
www.sosdireitoshumanos.org.br